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DICAS DE LIVROS

A Saga Brasileira

08/01/2012 18:17:43

 Da barbárie da hiperinflação a um país orgulhoso da sua moeda estável. Duas décadas e meia para superar o que parecia ser insuperável: 13 trilhões e 342 bilhões por cento (13.342.346.717.617,70%) de inflação acumulada nos 15 anos que antecederam o Plano Real, em 1994. Período em que brasileiro chorou, sofreu, engavetou sonhos, conta a reportagem de Liana Melo. Do Plano Cruzado, em 1986, até o Real, a moeda perdeu nove zeros e mudou de nome cinco vezes. Mercadorias sumiram das gôndolas, poupanças foram confiscadas, preços foram congelados. Uma história ao mesmo tempo épica e dolorosa vivida por pessoas comuns.

 

A nova geração não conheceu este Brasil. E para que os mais velhos não corram o risco de apagar esse passado, a jornalista Míriam Leitão rememorou os fatos, contou bastidores de governo, traduziu dramas humanos e privados. Tudo isso condensado no livro "Saga brasileira, a longa luta de um povo por sua moeda". A autora viveu dia após dia esta batalha, dentro e fora das redações dos grandes jornais, numa época em que os planos econômicos duravam menos de um verão. 

 

 

- Quero desmistificar a ideia de que na ditadura militar (1964-1985) a política ia mal, enquanto a economia ia bem. Os governos democráticos herdaram uma bomba, que tiveram que desarmar. Uma herança maldita de descontrole fiscal, dívida externa e correção monetária - diz Míriam.

 

Fazendo eco com a autora, Gustavo Loyola, que presidiu o Banco Central no governo Itamar Franco, é um dos protagonistas da saga brasileira contada por Míriam:

- Mais do que um desastre econômico, a volta da inflação hoje pode significar um desastre político - alerta Loyola, sócio-diretor da Tendências.

 

Loyola fez parte de um grupo seleto de 15 pessoas que contribuiu com depoimentos e entrevistas à jornalista, que somaram 35 horas. Economistas do calibre de Persio Arida (um dos idealizadores dos planos Cruzado e Real), André Lara Resende (ex-presidente do BNDES), José Roberto Mendonça de Barros (ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda no governo Fernando Henrique Cardoso), Edmar Bacha (ex-presidente do IBGE, do BNDES e um dos artífices do Plano Real) e o ex-presidente FH foram alguns de seus colaboradores.

 

Crítico do atual governo, devido à cautela com que vem lidando com o tema, Edmar Bacha está preocupado com o "custo que o país terá que pagar para trazer a inflação a patamares menos preocupantes". E aproveita para elogiar a oportunidade do livro: um calhamaço de 475 páginas.

 

A jornalista mergulhou fundo no tema voltando ao nascimento da República para explicar o processo inflacionário brasileiro até os tempos atuais. Fez também analogias com outros países e concluiu que a grande diferença da inflação daqui para a lá de fora, especialmente a hiperinflação alemã dos anos 20, foi o tempo de duração deste processo: curto lá fora e longo entre nós.

 

"Foi um processo longo, mas, como se aprende na ginástica, os músculos se fortalecem com o exercício constante e ao final de longa preparação. Os músculos com que o Brasil enfrentou a crise global foram formados em duas décadas e meia de preparação física", escreve Míriam.

 

Músculos que foram sendo torneados por sucessivos planos econômicos, num exercício que começou no Plano Cruzado e terminou com o Plano Real. Nos últimos 17 anos, o país criou tamanha musculatura que acabou obrigando o Fundo Monetário Internacional (FMI) a admitir que o Brasil "nunca esteve tão forte numa crise global", como foi a de 2008 - a maior desde a depressão dos anos 30.


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