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DICAS DE LIVROS

Não contem com o fim do livro

02/07/2010 00:46:44

Falar em livros e principalmente deste , que reúne conversas entre Umberto Eco e Jean-Claude Carrière é – em especial neste suporte, o mundo virtual – motivo de celebração. Afinal, em tempos de internet, em que poucos ainda exercitam a escrita artesanal – reinam três teclas: Ctrl, C e V – e em que tanta informação está disponível sem muitos critérios discriminatórios, nos juntarmos, eu e você, em torno de comentários acerca de um livro sobre livros é ocasião pra comemorar, mesmo que poucos se juntem a nós.

O título é emblemático e irônico, porque faz uso de onda recente de que os autores fazem troça. O chiste é justificável: na era da informática, textos e imagens foram condensados em unidades de armazenamento cada vez menores, que desprezam o uso de um suporte tão antigo quanto o papel e a tinta; por outro lado, os modernos suportes – desktops, pocket pcs, tablets, smartphones, notebooks, netbooks, e-readers, iPads – dependem, todos, de uma tal eletricidade, que nem sempre está ao alcance.

Toda a conversa é levada num tom informal, fato, e nem por isso vem recheada de parvoices, há um amálgama de sabores e saberes delicioso. O objeto livro – talvez não como o conheçamos – está ou esteve presente nas mais variadas culturas (quer seja cultura perdida no tempo, quer não); esse é apenas um dos muitos tópicos abordados nessa apologia ao livro, que passa pela formação da sociedade e do cânone ocidental, filmes, teatro e… a lista pode continuar.

O livro e a cultura estão em primeiro plano neste livro e, creia, muito bem acompanhados pela ignorância – eis o tema sobre o qual a biblioteca de Umberto Eco, com seus mais de 50 mil volumes, está montada –, tão importante e necessária pro nosso aprendizado; os dois bibliófilos, Eco e Carrière, abrem mão do positivismo graças ao conhecimento adquirido em meio a tomos lidos e, há de se confessar, aos não lidos. Neste sentido, eles estão em perfeito acordo com Schopenhauer e o controverso Harold Bloom: é preciso escolher, filtrar o que se deve ler, afinal nosso tempo é limitado.

Discutem mais, e tocam em assunto que tantos que se acham conhecedores das letras discutem cheios de razão; sobre isso, considero interessantes os comentários sobre adaptações de livros pra públicos diferentes e aqueles sobre a popularização do livro.

Nenhuma grande novidade pra quem já teve a oportunidade de ler outros livros de Eco. Por outro lado, Jean-Claude e Umberto comentam até mesmo sobre o que não leram e fundamentam o óbvio: é possível apreender uns tantos livros pela leitura de outros. Ainda, argumentam, a leitura de clássicos apenas reforça, multiplica e evidencia a qualidade de outras grandes obras, enquanto nos provoca. E eles nos provocam, os dois bibliófilos, dizendo que o livro deverá permanecer, se perpetuar, a despeito da miríade de novos meios. Não creio que ignorem as mudanças por que estamos passando em nosso modo de vida. Sabem eles – sabemos nós, mesmo que ousemos esquecer – que a maior impressão que o futuro nos causa no instante agora é o de ser absolutamente certo. Não têm, então, como estarem errados em sua previsão.


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